Eu sou a tua sombra
A que pisas todos os dias sem sentir,
E acompanha os teus passos sempre
Revelada na luz
Ou na sombra retraída...
Não me olhas, não me vês, não sabes que te sigo,
Andas ébrio da vida,
E invisíveis clarins transbordam teus ouvidos
Com acordes de um hino,
- e a luz que alboreja o céu e de longe te acena
É o imã que escraviza os teus olhos atônitos
E traça o teu destino!
Corres!... Tonto com a luz que o fósforo da Vida
Acendeu na substância abstrata dos teus sonhos,
E em mim não pensarás...
Eu sou a sombra humilde, a tua própria sombra,
Que te acompanha os passos em silêncio, e segue
Atrás...
E como hás de seguir sempre buscando a luz
Nunca me encontrarás...
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No entanto, no último dia, quando a luz fugir
Até dos teus próprios olhos, e ficares s0zinho,
A desceres sozinho ao derradeiro abrigo,
- quando a Vida te abandonar, sou eu que te seguirei
E em teu corpo gelado me recolherei
E irei contigo...
(J. G. de Araújo Jorge)

















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