Caminho Monótono
E por que hei de negar?... Ah! O encanto da estrada
Abrindo em cada curva um leque de paisagem,
E o mistério da casa escondida e encantada
Que mora sob a sombra amiga da folhagem...
E por que hei de negar? Se isso é a vida passada;
Se o fastio espantou o encanto da miragem...
Hoje – o olhar distraído, e a alma já cansada
Repetem todo dia e sempre a mesma viagem...
E por que hei de negar? Ah! Aquelas ânsias loucas
Dos beijos que cantavam sempre em nossas bocas
E das mãos, não sabendo nunca onde pousar...
Hoje... por mais que venhas, sempre estou sozinho...
E por que hei de negar? Se teu corpo é um caminho
Onde de olhos fechados posso caminhar?...
(J.G. de Araújo Jorge)















Comentários